Motivos&Pretextos: Apontamentos sobre o Verão de 2026 em Espinho

Para os mais distraídos, fica a dica: este Verão está a ser diferente em Espinho.


Os dias estão mais quentes. Não há nortadas. As marés vasas estão generosas. A energia do
mar anda calma, o que faz com que pareça um lago na maré cheia.


O encerramento da Piscina Solário Atlântico ter provocado um aumento da afluência de
banhistas à Praia da Baía, especialmente ao seu lado sul, também conhecido como “Praia do
Surfing” (por se encontrar em frente do início da esplanada do bar de praia homónimo.
Também se verifica um considerável aumento de guarda-sóis e afins nas praias do limite sul da
freguesia, para além da 37 – dados meramente empíricos, de quem para no fundo da Rua 23 e
fica a olhar ao longe para ver como está o areal.


Há quem referencie que as manhãs começam a arrancar, os banhistas chegam mais tarde,
mas rapidamente enchem a frente de mar.


Na Praia das Sereias o bar voltou a abrir, mas ainda se notam os efeitos da não abertura no
ano passado: com a consequente debandada dos habitués para outras paragens e a chegada
de novas nómadas balneares; há também ali uma faixa grande de areal que não está a ser
ocupada por ninguém, mesmo em frente à esplanada, que agora já nem chega à areia (como
dantes).


A CME voltou a fazer um programa de Verão regular – o Escadas da Baía, nos fins de tarde de
sextas e sábado, entre finais de julho e inícios de setembro –, que de certa forma me recorda a
lógica da programação desta altura do primeiro mandato de José Mota, ainda que nesse caso
era durante a noite, e também pelo regresso a esse local (as escadas da Praia da Baía, no
enfiamento da Rua 19) que foi tão icónico nos anos 90 e 2000 durante essa governação
camarária, com concertos variados (com artistas locais e de grande alcance nacional).

A tónica no final do dia, coincidindo com o por do sol, parece ter pano para mangas e o evento tem tudo
para ser aproveitado pelo que se passa em redor. O que não muda é que os agentes
económicos locais demoram a agarrar oportunidades: na minha opinião um evento destes
merecia que bares, restaurantes e outros comerciantes daquela zona se organizassem para
aproveitar a dinâmica que ele proporciona e gerar ainda mais dinamismo à cidade,
nomeadamente suprindo uma lacuna natural desta iniciativa, a ausência de postos de vendas
de bebidas, para colmatar a procura óbvia que é gerada naquele momento. Não só
complementaria este mini festival, como poria as pessoas a circular pela cidade, principalmente
depois, com soluções para jantar e continuar a noite, por exemplo.
Entretanto há cinema ao ar livre.

Hoje em frente à Câmara, com uma iniciativa isolada de evocação dos 130 anos da primeira sessão de cinema em Espinho, exibindo o “Cinema Paraíso”. E depois nas freguesias, com uma parceria com o FESTCineclube, com propostas que me parecem fazer bastante sentido (por serem diferentes e atuais, mas com tangibilidade e não demasiado artísticas). Uma curiosidade, e sem grande pesquisa, ou a memória me engana ou há uma probabilidade muito grande de esta ser a primeira vez que o “Cinema
Paraíso” é exibido em grande ecrã em Espinho, porque a sua estreia em Portugal, em janeiro de 1991, coincide com um período em que o cinema do Casino se encontrava fechado para obras.


Hoje calha também de ser dia do Apocalipse. Digo, do eclipse. Eclipse total do sol que fez
esgotar óculos especiais (noticiava um diário nacional que já se vendiam a 100€ no mercado
paralelo), não obstante ter havido campanhas várias para distribuição dos mesmos, e motivou
também muita gente a rumar a Bragança (que se calhar nunca pensou ter tantas pessoas lá ao
mesmo tempo).


Estes apontamentos, meramente subjetivos e bastante empíricos, servem sobretudo para
memória futura, honrando a boa tradição de um dos jornais locais dos anos 30, onde
conseguimos ir perceber o que ia mudando a cada verão, com relatos algo dramáticos e que
(spoiler alert!) anunciavam sempre um veredicto de que esta época balnear tinha sido pior que
a anterior, salvo no caso daquela (não interessa bem o ano) que o editor do jornal julgava como
sendo a melhor de sempre.


Esta época balnear de 2026 pode não ficar na história como a melhor de sempre, mas creio
que tem tudo para ser memorável, principalmente pelos excelentes dias de praia, sol e mar que
nos tem proporcionado, sem vento. Que assim se aguente agora que entramos de férias.