Agosto é, para muitos, o mês do emigrante. O momento em que os filhos voltam à sua terra, ao seu País de origem.
Vêm pela saudade: da família, dos amigos, dos sabores, dos cheiros, das festas, das tradições, dos casamentos, das burocracias, das obras em casa. Vêm pelas mais diversas razões — e todas são válidas. Mas nem sempre os recebemos como merecem.
Brincamos com o modo como falam, como se vestem, como conduzem. Achamos graça aos colares, às tatuagens, aos seus novos hábitos. Rimo-nos da forma como riem alto. Mas quantos de nós paramos para lhes perguntar: “Porque é que, mais uma vez, escolheste vir a Portugal?”.
Poderiam ter optado por destinos exóticos, por praias paradisíacas, por aventuras no outro lado do mundo. Mas não. Escolhem Portugal. Escolhem a família. Escolhem a aldeia. Escolhem o cheiro da sua casa e as memórias da infância.
Os emigrantes portugueses são aqueles que choram quando abraçam a família. Que lambem os dedos ao saborear os pratos da terra. Que vivem cada onda do mar, cada grão de areia, cada pedra da calçada. Que organizam churrascadas com amigos e fazem festas que duram até à última energia. Que se despedem dos avós sem saber se, no próximo verão, haverá outro abraço. Que, por mais que corram mundo, fazem sempre questão de voltar a Portugal.
Infelizmente, sentem-se emigrantes no país que os acolheu e, muitas vezes, também no seu próprio país. Continuam a ouvir piadas sobre o “avec”, como se a sua vinda fosse uma excentricidade passageira. Mas não é. É o regresso dos filhos da terra. É o Portugal que volta a pulsar com os seus.
Receber os nossos emigrantes é, acima de tudo, uma oportunidade. Uma oportunidade de voltarmos a reunir famílias, de reviver histórias de infância, de ouvir as aventuras e conquistas de quem, por necessidade ou ambição, procurou longe o sucesso que aqui não encontrou.
São semanas em que a freguesia ganha vida, em que as ruas se enchem de rostos sorridentes e de vozes que falam mais alto, com mais emoção. A presença deles traz-nos orgulho, porque são a prova viva de que o nosso povo é capaz de vencer fora de portas, mesmo com todas as dificuldades.
E não há nada mais bonito do que ver as casas ganharem movimento, os cafés cheios de conversas animadas, os almoços prolongarem-se até ao jantar, as festas encherem-se de abraços que valem por um ano inteiro. São momentos que nos recordam que, apesar das distâncias, continuamos ligados pela raiz que nos une: o amor à nossa terra.
Por isso, ter os nossos emigrantes connosco, nem que seja apenas por umas semanas, é devolver alma às nossas aldeias e dar sentido à palavra “comunidade”.
Sejam bem-vindos a casa e usufruam cada segundo como se fosse o último. Porque, para vocês, cada segundo é precioso. E para nós, cada regresso vosso é um presente.
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