Há oito candidatos à Câmara Municipal de Espinho. OITO, e o PAN não tem um representante. Fico em dúvida se se trata de ativismo político, no sentido positivo de querer transformar uma cidade que caminha para parecer-se com o Kosovo durante a guerra dos Balcãs, ou se é o reflexo de uma sociedade individualista, que não se agrega nem conversa.
Eu gostava de me sentar com cada um dos oito e conversar. Gostava de ouvir sobre o percurso deles e excluir todos os que não têm experiência de gestão de pessoas, em primeiro lugar; ou que não tenham frequentado formação equivalente. Estaria muito interessada em saber o que cada um valoriza no trabalho e no seu ambiente.
Um cargo destes exige tanto tempo e tanta dedicação que, se a coisa não se compuser, correm o risco de perder o foco e deixar-se levar por outras atrações em mesas de café. Acho fundamental garantirmos que o edifício da Câmara tenha as condições certas para o que cada um precisa. Não vou ter esta conversa, mas permitam-me ficcionar o que cada um pediria.
Comecemos pelo Luís. Imagino-o a ser presidente e dar uns toques na bola para descontrair. Já trabalhei num escritório em que isso acontecia. Volta e meia via-se um engenheiro de software ora a passar de skate, ora a dar toques na bola. Seria curioso ver-se no salão nobre da Câmara essa leveza. A diferença é que, lá no escritório, éramos todos jovens e sabíamos que a empresa poderia ficar sem dinheiro a qualquer momento. Talvez a parte final não seja assim tão diferente.
O Jorge é o candidato com um currículo mais adequado, na medida em que no seu perfil do Linkedin surge como experiente em Câmaras Municipais e não inclui “coach” na experiência profissional. Por outro lado, a adequação da sua candidatura é, como hei de dizer, particularmente interessada e endereçada. Acho que o Jorge apreciaria um mini-golf no gabinete do presidente — prevejo negociações frequentes no Oporto Golf Club.
Para a Maria, seria um light ring debaixo da secretária, uma daquelas coroas circulares de luz que os Influenciadores Digitais usam para melhorar a imagem nos vídeos e fotografias. Neste caso, não se trata de experiência própria — nunca tive um destes —, mas de inveja: nas minhas reuniões remotas, a luz do dia nem sempre me favorece.
De professora em professora, à Pilar daria jeito uma vereadora Maria que lhe desse um jeitinho nas redes sociais. A CDU é provavelmente o único partido com intenções claras, mas no que toca a marketing precisaria de umas aulas durante o mandato.
À Rita dar-lhe-ia jeito uma Moleskin para que pudesse escrever o registo diário de tudo o que fosse encontrar. A Rita é jovem, cheia das melhores intenções e com a vontade certa de trabalhar, mas um cargo destes seria um dia a dia de novidades agridoces. A psicologia defende a escrita como mecanismo terapêutico.
O José valorizaria as atividades de teambuilding: podia ser a corrida de S. Silvestre ou o jantar de Natal organizado pela divisão de Recursos Humanos. O António apreciaria uma máquina de finos. No escritório da bola e do skate, tínhamos, primeiro, quem chegava para a reunião de final de semana e limitava o espaço das marmitas; depois, evoluímos. A empresa não ficou sem dinheiro e instalou um bar no escritório novo com cerveja de pressão. Um bar no átrio da Câmara Municipal e teríamos o ambiente certo para a festa de Natal. Subscreveria a ideia.
Finalmente, quanto ao Ricardo, não sei bem o que valorizaria no ambiente de trabalho. Mas o Chega não pretende propriamente seguir as regras do regime e, por isso, posso também usar o livre-arbítrio. Neste caso, eu decidiria o que seria adquirido para todas as divisões da Câmara Municipal: livros sobre democracia.
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