Até ao dia 15 de setembro, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) está a realizar sessões de colheita de sangue em todo o país, sobretudo em regiões de maior afluência, por forma a manter reservas adequadas durante o Verão e responder às necessidades de doentes dependentes de transfusões. A dádiva de sangue é um ato seguro para adultos saudáveis, devendo os candidatos estar hidratados e alimentados. Se nunca deu sangue e está a pensar fazê-lo, este pode ser o momento para começar: o processo é simples, rápido e pode ajudar a salvar vidas.
Qualquer pessoa pode dar sangue?
Todas as pessoas que cumpram os requisitos de elegibilidade básicos para a dádiva de sangue podem candidatar-se a realizar uma doação: mais de 18 anos de idade, de 50 quilos de peso. e com estilos e hábitos de vida saudáveis. Antes da dádiva de sangue é realizada uma avaliação clínica (triagem) por um profissional de saúde qualificado para avaliação individual do risco das circunstâncias clínicas identificadas. Se não forem identificadas situações que possam pôr em causa a sua segurança, enquanto dador, e a segurança do recetor, enquanto doente, poderá dar sangue. As pessoas com mais de 65 anos poderão candidatar-se à dádiva de sangue, mas a sua elegibilidade é um critério definido pelo médico do serviço.
Já dei sangue este ano. Posso repetir a dádiva?
É aconselhável um intervalo mínimo de dois meses entre dádivas, desde que não se ultrapasse as três ou quatro colheitas de sangue no período de 12 meses.
Fiz exames solicitados pelo médico de família. Estou impedido de fazer a dádiva?
Se a pessoa aguarda resultados de exames o explicador complementares de diagnóstico solicitados por rotina e sem sintomas associados, poderá candidatar-se à dádiva de sangue. A realização de exames e/ou análises com a finalidade diagnóstica e para orientação terapêutica implicam a suspensão da pessoa candidata à dádiva até ao conhecimento dos resultados e esclarecimento clínico.
Fui operado. É seguro dar sangue?
O período de suspensão depende do tipo de cirurgia, grau de complexidade, eventuais efeitos secundários, o potencial de transfusão de sangue e evolução clínica. Poderá candidatar-se à dádiva de sangue quatro meses depois da cirurgia, caso não tenha tido complicações e não tenha recebido uma transfusão de sangue.
E se estiver gripado?
Caso tenha gripe (febre, tosse e dor muscular (mialgias)) não se pode candidatar à dádiva de sangue. Pode fazê-lo 15 dias após a resolução clínica, se não apresentar sintomas, e sem medicação. No entanto, se tiver febre, tosse e dor muscular ou sintomas semelhantes no período compreendido entre 1 de maio e 31 de outubro de cada ano, é suspenso para a dádiva de sangue por um período de 28 dias.
Se consumir “drogas leves”, posso dar sangue na mesma?
O consumo de droga requer uma avaliação clínica pelo profissional de saúde qualificado sobre a frequência do consumo e a forma de administração, pelo que deverá sempre referir esta situação no âmbito da triagem clínica, ao profissional de saúde qualificado.
E se tiver recebido uma transfusão de sangue?
Se recebeu uma transfusão de sangue após 1980 não se pode candidatar à dádiva de sangue. A implementação deste critério de suspensão da dádiva de sangue surge na sequência do risco de transmissão secundária de uma variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, também designada por “doença das vacas loucas”, por transfusão.
No caso de ser diabético…
As pessoas com diabetes tipo 1 não podem dar sangue. Por sua vez, as pessoas com diabetes tipo 2 poderão candidatar-se à dádiva de sangue, se apresentarem: controlo glicémico adequado com dieta; medicação oral ou injetável, que não a insulina; sem alteração do tipo e da dosagem dos antidiabéticos (orais e injetáveis que não a insulina) nas últimas quatro semanas; sem antecedentes recentes de hipotensão postural ou tonturas.
…ou de estar grávida
Enquanto estiver grávida não poderá dar sangue. Poderá candidatar-se à dádiva de sangue seis meses após o parto. A dádiva de sangue durante a amamentação pode reduzir as reservas de ferro e afetar a quantidade de ferro no leite materno. Por isso, a amamentação contraindica a dádiva de sangue. Pode candidatar-se à dádiva de sangue 90 dias após a amamentação. Se a amamentação for superior a 12 meses poderá candidatar-se à dádiva de sangue.
Fontes consultadas: SNS 24 e Instituto Português do Sangue e da Transplantação.