Esperança no Bem-Comum: Sonhar Juntos, Agir Juntos

Fábio Oliveira

Membro e coordenador do Grupo de Jovens de S. Félix da Marinha

“Sede surfistas do Amor”: um pedido, um aviso, um alerta que o saudoso Papa Francisco deixou a mais de um milhão de jovens na Jornada Mundial da Juventude 2023 em Lisboa e a mais de dois mil milhões jovens em todo o mundo. Um apelo de um homem cheio de esperança no coração e na humanidade. Faz-nos falta mais Franciscos – pessoas audazes, sem medo e com a cabeça e o coração nos sítios certos.

A juventude é uma fase em que nos é permitido ser o que quisermos. Com regras e limitações, para nos ensinar que nem sempre tudo é como queremos. A esperança pode ser a solução para seguirmos em frente, recusando a lógica do descarte, a cultura do egoísmo e a indiferença diante do sofrimento alheio. O mundo pede-nos que sejam resistentes, que lutemos, que sejamos diferentes, mas todos sabemos que quando queremos mudar e fazer algo mais e melhor por nós, acabamos por ser considerados como “pedras no sapato” quando queremos ser “pedradas no charco”.

Neste contexto, olhamos para um homem que apareceu há 2.000 anos lá na longínqua Galileia. Um homem que nasceu com um único propósito: transmitir Amor, Esperança e Empatia. É para este homem que o nosso grupo olha e vê como exemplo a seguir. Nem sempre é fácil e há muitas dúvidas no ar, nem sempre entramos em acordo e nem sempre tiramos as melhores conclusões sobre diversos temas… Mas o caminho faz-se caminhando, e é através das mensagens de um Nazareno, chamado Jesus, que reconhecemos o valor de tudo o que nos rodeia e a importância da simplicidade e da paz de espírito, sem nunca esquecermos o nosso lado de ação e reação.

O nosso grupo de jovens nasceu há 34 anos na paróquia de São Félix da Marinha. Por este grupo já passaram centenas de pessoas, de histórias e de testemunhos. Atualmente o Grupo de Jovens de S. Félix da Marinha tem 24 elementos. 24 jovens que se dispõem a trabalhar por uma comunidade, a mostrar diferença na indiferença e a inovar a imagem da Igreja, através de valores como a dedicação, a resistência, a fé e o compromisso. Neste grupo, que é Casa, somos convidados a agir e a projetar um futuro melhor, onde ferramentas como a tolerância, a amizade e o respeito pelo outro devem ser usadas.

Quando fazemos apenas “a nossa obrigação”, deixamos parte dela por cumprir, e tudo fica como estava

Quantos jovens, atualmente, gastam sábados à noite para se reunirem e falarem sobre fé, sobre o mundo, sobre a religião e sobre a sociedade, sempre com os olhos postos em Cristo? Contamos pelos dedos. Nós somos alguns deles. Quantos jovens gastam uma semana de férias em pleno verão e vão para um acampamento de retiro com poucos recursos e longe da família, onde não há tecnologia, nem internet, nem confusão social e onde somos convidados a refletir, a orar e a conhecer melhor quem está ao nosso lado? Poucos, mas nós somos esses jovens.

Quantos jovens organizam dinâmicas com idosos, participam em ações solidárias e se dedicam a elaborar atividades para a paróquia de onde são naturais? Existem alguns, mas ainda somos poucos. Precisamos de mais jovens que estejam dispostos a aprender, a querer mais e a lutar pelos sonhos – pelos seus e pelos dos outros.

Como membro mais velho do grupo, olho para nós e para todo o nosso percurso com orgulho, com devoção e com carinho. O grupo de jovens é uma escola de vida que contribui para a nossa formação como cidadãos e cristãos. Imaginem que cada um de nós é uma casa em construção: o grupo de jovens são os tijolos dessa casa, porque nos fortifica e nos faz crescer em todos os sentidos. É neste grupo, fundado por duas pessoas que ainda hoje nos acompanham e são os nossos pais do coração, que mostramos ser quem nós somos, o que queremos e como pensamos. E cá para os meus botões: somos uns sortudos por isso, porque é tão raro conhecermos o lado genuíno de uma pessoa numa sociedade como a nossa, onde vivemos com máscaras e artimanhas.

“Juntos para sonhar novas imensidades, juntos para marcar ritmos de um novo Amor, juntos lançamos o olhar sobre o espelho de Deus, juntos construímos na forja a paz de um mundo novo e melhor”. Ser jovem cristão, no século XXI, é escolher a contracorrente: é criar, é resistir, é comprometer-se. É transformar a esperança em prática e o sonho em caminho. É confiar que, mesmo que o mundo diga o contrário, ninguém nasce para caminhar sozinho. E nós caminhamos lado a lado no abraço da voz do Nosso Melhor Amigo.