Alunos da Domingos Capela querem melhores condições e reúnem-se hoje com a Câmara

Uma comissão de alunos, docentes e encarregados de educação tem reunião marcada para hoje, às 17h00, com o presidente da Câmara de Espinho, Jorge Ratola.

Cerca de 40 alunos da Escola Básica e Secundária Domingos Capela manifestaram-se esta manhã, 13 de fevereiro, em frente à Câmara Municipal de Espinho contra a degradação e a falta de condições naquele estabelecimento de ensino. Uma comissão de alunos, docentes e encarregados de educação tem reunião marcada para hoje, às 17h00, com o presidente da Câmara Municipal de Espinho, Jorge Ratola.

No protesto marcaram presença sobretudo alunos do curso técnico-profissional de Desporto da escola, acompanhados por professores que se associaram à iniciativa, uma vez que estes estudantes estão há três semanas sem aulas práticas devido ao estado do pavilhão.

Bruno Ferreira, aluno de 17 anos da escola, descreve situações que considera “muito perigosas”, como a queda de placas metálicas do teto numa das entradas do edifício. No pavilhão desportivo, acrescenta, a água acumulada tem provocado quedas e acidentes.

“O pavilhão tem cada vez mais água acumulada. Se tivermos uma aula de Educação Física, há um grande risco de escorregarmos e de nos magoarmos a sério. Já houve acidentes assim: pessoas a escorregar, a bater com a cabeça na parede e a sair da escola de INEM”, afirma, sublinhando que, num curso de Desporto, a componente prática é “essencial” para a formação.

A parte teórica faz parte, mas para ficamos formados nesta área é mesmo necessário termos estas aulas práticas. Neste momento, não as temos porque não há condições”, acrescenta.

Quem também confirma a gravidade da situação é Cristina Cortez, docente na Domingos Capela há 23 anos, que afirma que os problemas estruturais se agravaram ao longo da última década e que a falta de intervenção tem deixado o edifício “muito degradado”.

“Esta é uma escola que existe desde 1995 e não sofreu nenhuma intervenção estrutural desde então. Neste momento, tem as instalações muito degradadas e, dadas as intempéries recentes, a situação agudizou-se”, revela.

Segundo a professora, a escola enfrenta infiltrações generalizadas, problemas elétricos e ausência de aquecimento, o que leva a que os alunos assistam às aulas “enrolados em cobertores”.

O pavilhão, a que Bruno Ferreira se referia há pouco, encontra-se encerrado “por razões de segurança”, após uma funcionária ter caído ali.

“Não há condições. Há três semanas que estes alunos não têm aulas práticas e este é um curso que prevê 1900 horas práticas. Ora, os professores têm tentado colmatar com outras atividades, mas, para estes alunos se formarem, eles precisam dessas aulas”.

A docente explica também que há zonas da escola “intransitáveis” devido à água acumulada e a humidade é outro problema:

“As salas de aula estão com os tampos das mesas molhados devido ao excesso de humidade. Não se consegue pousar um livro ou um caderno na mesa sem que fique estragado. Os corredores da escola também estão cheios de humidade e fica muito perigoso. Neste momento a escola não tem condições mínimas, nem de dignidade nem de segurança”.

Reunião agendada entre comissão e Câmara

A professora garantiu ainda que a autarquia tem conhecimento da situação, já que tem elementos que integram o Conselho Geral desta escola.

“Sei que ontem houve uma reunião da direção da escola com o senhor presidente da Câmara. Não sei bem o que ele comunicou, mas prontificou-se para receber hoje uma comissão de alunos, professores e encarregados de educação”, disse Cristina Cortez.

A reunião está agendada para as 17h00.

Face a esta situação, o objetivo da manifestação desta manhã é claro para Bruno Ferreira: que a Câmara ouça a comunidade escolar.

“Fala-se em obras há anos, mas nunca acontecem. Agora andam a dizer que vamos ter obras lá para maio e que vamos para uns contentores…. Estão sempre a dizer essas coisas, mas nunca fazem. Já frequento esta escola desde o 5.º ano e desde essa altura que dizem que vão fazer obras. Esperamos ter voz e alcançar algo pela nossa escola”, arremata Bruno Ferreira.