Há taumatrópios para todos os gostos, folioscópios para quem gosta de ver o movimento a nascer do papel, variados e coloridos praxinoscópios, o difícil-de-pronunciar fenaquistoscópio, e tantas coisas mais. É com alguns destes engenhos que se compõe a exposição “Oficinas Anilupa: Feira do Brinquedo Ótico”, inaugurada na tarde de sábado, 8 de novembro, no Fórum de Arte e Cultura de Espinho (FACE).
A primeira surpresa está logo à entrada. O que parece ser a boca de um gigantone convida o visitante a entrar nesta viagem pelo tempo até ao pré-cinema. Depois de atravessar os pêlos escuros do seu bigode, há um universo de objetos para descobrir e, sobretudo, tocar, mexer e experimentar.
Aqui e ali há peças que giram, imagens que ganham vida. Ouvem-se risos despoletados pelas ilusões óticas que desafiam o olhar e que convidam a experimentar uma e outra vez. Um olho gigante (que se enfia na cabeça) é, por momentos, o centro das atenções.
Está instalado o ambiente de “feira popular”, onde o saber e o brincar estão de mãos dadas.
“Há dois anos, o CINANIMA desafiou-nos a realizar exposições”, introduz Fernando Saraiva, responsável pelo Anilupa – Centro Lúdico da Imagem Animada, da Associação de Ludotecas do Porto.
“No ano passado tivemos a oportunidade de fazer a mostra Oficinas Anilupa: A Arte e o Cinema na Escola, em que partilhámos o trabalho que desenvolvemos com este público não-profissional do cinema de animação, ligado a instituições educativas, sociais e culturais. Este ano quisemos dar continuidade a esse percurso, mas de uma forma mais lúdica, centrada nos brinquedos óticos”, explica.
Esta nova exposição nasce da vontade de explorar da animação da imagem, mostrando como uma série de aparelhos óticos (inventados nos finais do século XIX) possibilitam observar e perceber os princípios do movimento da imagem em ações cíclicas, mas também outros que nos remetem para a diversidade de ilusões óticas, como o quadro que replica a cena mais famosa do Le Voyage dans la lune (1902), considerado o primeiro filme de ficção científica.
Explorar a animação da imagem
Para além das conhecidas oficinas de cinema de animação, o Anilupa desenvolve também oficinas pontuais dedicadas à construção de brinquedos óticos, objetos que permitem compreender, através do jogo e da experiência, os princípios que estiveram na origem do Cinema.
“Estes objetos óticos permitem aos grupos contactar com experiências realizadas antes do aparecimento do cinematógrafo. Mas também há uma componente artística para além da construção destes aparelhos óticos, que é a questão da animação de imagens, uma vez que estes objetos têm muita animação de movimento em ações cíclicas”, explica Fernando Saraiva.
Daqui nasce o conceito de “feira”. Depois de cada uma destas oficinas, os participantes são convidados a montar pequenas exposições nos locais onde as atividades decorreram, recriando o ambiente e partilhado das feiras populares.
“Ao invés de ser uma feira onde se compram produtos, é uma feira onde as pessoas podem experimentar, brincar e divertir-se num momento lúdico e social”, sublinha. “Quisemos trazer essa ideia para aqui e esperamos que os visitantes participem, em conjunto, na descoberta destes fenómenos óticos”.
Espírito comunitário patente
Este carácter participativo e comunitário é também uma das marcas da exposição. Para a sua preparação, a Anilupa promoveu algumas oficinas com instituições da região, nomeadamente as crianças do Bairro de Aldoar, no Centro Comunitário da Associação de Ludotecas do Porto, e com a Cerci-Espinho.
Nesta última, os participantes ajudaram a pintar, revestir as mesas, criar painéis e apontamentos plásticos que agora decoram o espaço expositivo. O Centro de Reabilitação da Granja contribuiu com instalações artísticas na componente cenográfica e houve ainda a participação da Escola Básica de Silvalde, onde os alunos elaboraram um painel coletivo para a exposição.
Para além de terem partilhado alguns materiais do seu património material, o Anilupa quis também assinalar os 100 anos do nascimento do médico pediatra Virgílio Moreira, fundador da Associação de Ludotecas do Porto, a que este estúdio de cinema de animação pertence:
Quisemos assinalar neste evento os 100 anos do nascimento do nosso fundador, o médico pediatra Virgílio Moreira, que impulsionou a criação de diversas ludotecas na cidade do Porto, e que se mostrou sempre muito preocupado com a saúde mental das crianças. Ele dizia que "brincar é o ofício da criança" e que "aprende-se fazendo e faz-se brincando"
- Fernando Saraiva
E, realmente, esta exposição faz sentir que assim o é: brincar, afinal, continua a ser a melhor das aprendizagens.
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@ 2025 Maré Viva – Jornal Regional de Espinho
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