A fábrica da Yazaki Saltano, em Ovar, comunicou ontem aos seus trabalhadores a intenção de avançar com um despedimento coletivo de 163 pessoas, poucos meses após um corte anterior que afetou 304 funcionários. Os trabalhadores foram dispensados de se apresentar ao serviço esta sexta-feira. Face ao sucedido, a Câmara Municipal de Ovar garantiu que irá apoiar os trabalhadores do concelho que venham a ser afetados.
A empresa do setor automóvel justifica o despedimento com a necessidade de “assegurar a viabilidade das operações em Portugal e reforçar a capacidade de angariar novos projetos” e as “exigências acrescidas para manter a sua competitividade face às atuais condições de mercado”.
Apoio aos trabalhadores de Ovar
Em declarações à TSF, o presidente da Câmara de Ovar, Domingos Silva, garantiu que a autarquia irá apoiar os trabalhadores do concelho que venham a ser afetados. Entre as medidas previstas estão complementos de renda, apoio à medicação, ajudas para consumos como luz, medicamentos e a criação de um fundo de emergência.
O autarca explicou que a empresa notificou a autarquia e disse acreditar que a Yazaki Saltano terá em consideração os direitos dos empregados. A Câmara prometeu ainda complementar os apoios para os cerca de 70 trabalhadores residentes em Ovar.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente – Centro Norte (SITE – CN), pelo menos 70 dos 163 trabalhadores despedidos são do concelho de Ovar.
“Foram trabalhar, e quase no fim do seu período foram chamados para lhes comunicarem que iriam integrar um despedimento coletivo, estando dispensados, automaticamente, de se apresentar no dia seguinte”, relata o coordenador do sindicato, Justino Pereira.
O sindicalista acrescenta que, face à gravidade da situação, a fase negocial deve ser mais aprofundada. Para isso, o SITE-CN já enviou cartas ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e ao Ministério da Economia e da Coesão Territorial, solicitando intervenção do Governo.
Justino Pereira relembrou também que, no despedimento coletivo anterior, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) interveio, realizou inspeções, mas os resultados ainda não foram comunicados. Perante o sucedido, o coordenador reivindica maior envolvimento governamental, incluindo a convocação de responsáveis da empresa para esclarecimentos nos gabinetes competentes.