Produtores do distrito de Aveiro protestam junto à CCDR-C e querem medidas para salvar o sector

Agricultores do distrito marcharam esta quarta-feira até à CCDR-C, em Aveiro, numa ação de protesto para exigir medidas urgentes face à crise que atravessa o sector.

Os produtores de leite e de carne do distrito de Aveiro saíram esta quarta-feira à rua, numa ação de protesto, com destino à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C), em Aveiro. Em causa está o que classificam como uma “situação dramática” vivida pelo sector agrícola, marcada por baixos rendimentos, aumento dos custos de produção e encerramento sucessivo de explorações. Reclamam por medidas urgentes em defesa da soberania alimentar e da produção nacional, mostrando-se contra o acordo UE-Mercosul e o aumento do custo de vida.

Segundo a União de Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro (UABDA), nas últimas décadas terão desaparecido mais de 70 mil explorações leiteiras em Portugal, cerca de duas mil no distrito de Aveiro. Só em 2022, diz a UABDA, encerraram perto de 200 explorações nesta região.

Os produtores entendem que 2026 será “um ano decisivo” para o sector e criticam o contraste entre o discurso político, que classifica a agricultura como estratégica, e a realidade no terreno.

“Os agricultores do distrito de Aveiro, descontentes com a situação dramática de falta de condições vivida diariamente pelo sector, acentuada pelas intempéries e tendo em conta a atual situação económica da pequena e média agricultura familiar, reclamam medidas urgentes em defesa da soberania alimentar e da produção nacional”, lê-se no comunicado.

Entre as principais reivindicações está a criação de uma lei que proíba a venda de produtos agrícolas abaixo do custo de produção, garantindo preços justos no escoamento de leite, carne, fruta e hortícolas.

Exigem também maior regulação e fiscalização da grande distribuição e do agro-negócio, controlo fronteiriço das importações para assegurar padrões de higiene, segurança alimentar e bem-estar animal, bem como a imposição de limites máximos aos preços dos fatores de produção para travar a especulação. Caso necessário, consideram que o Ministério da Agricultura deverá intervir diretamente na compra e distribuição desses factores a preços justos, privilegiando pequenos e médios produtores.

Outro ponto central é o reforço institucional do Ministério da Agricultura, com integração das áreas das Florestas e do Desenvolvimento Rural, de forma a responder aos problemas estruturais do sector.

Reclamam, assim, uma redistribuição mais equitativa dos apoios nacionais e comunitários, com “majorações significativas” para pequenos e médios agricultores, argumentando que os grandes proprietários concentram atualmente a maioria das ajudas.

Entre as medidas propostas constam ainda o aumento dos descontos no gasóleo agrícola, a “concretização urgente” todos do apoio aos custos com a eletricidade verde, a aplicação plena do Estatuto da Agricultura Familiar, apoio técnico e financeiro à legalização de explorações leiteiras no distrito e compensações rápidas pelos prejuízos causados por intempéries e incêndios.

Por fim, pedem a criação de linhas de crédito altamente bonificadas, de longo prazo e com período de carência, inclusive para reestruturação de dívidas já existentes.