Maria Manuela Aguiar abandona PSD e critica rumo do partido na imigração

Após 45 anos de militância, a espinhense Maria Manuela Aguiar abandonou o PSD por entender que o partido se afastou dos valores fundadores e adotou posições incompatíveis com a sua visão sobre imigração e direitos humanos.

A espinhense e antiga secretária de Estado, Maria Manuela Aguiar, abandonou o PSD, após 45 anos de militância. Em entrevista à TSF, a histórica social-democrata criticou a orientação do partido em matéria de imigração e a aproximação a posições do Chega, considerando que o partido de hoje está “completamente diferente” daquele que foi fundado por Francisco Sá Carneiro.

Maria Manuela Aguiar diz ter ficado “tranquila” durante o primeiro Governo liderado por Luís Montenegro por existir uma “linha vermelha” no relacionamento com a direita populista. No entanto, acusa o PSD de ter ultrapassado agora essa linha, apontando “alianças” parlamentares com o Chega na Assembleia da República e a criação de “perceções” negativas sobre imigração:

“Quando no segundo Governo, começa a ver-se as alianças constantes na Assembleia da República entre o PSD e o Chega, naquelas questões que eram as últimas em que eu esperava que o PSD alinhasse e ultrapassasse a linha vermelha, com a criação das fake news e das perceções, criou-se uma percepção completamente errada da imigração”, referiu.

Maria Manuela Aguiar lembra que sempre defendeu direitos para emigrantes portugueses e considera incoerente permanecer num partido que, na sua visão, mudou de rumo. “É impossível estar no PSD de hoje”, afirmou.

Na mesma entrevista, a antiga governante sustenta que Portugal “não tem imigrantes a mais”, mas sim “serviços a menos para os legalizar”, defendendo que a imigração é necessária para a economia e deixou o alerta para a exploração de trabalhadores através de redes ilegais, nomeadamente no Alentejo.

A antiga deputada, que integrou um governo chefiado por Mota Pinto e foi a primeira mulher militante do PSD a exercer funções governativas, critica ainda declarações recentes de dirigentes sociais-democratas sobre imigração e política internacional. Invocando a doutrina social da Igreja e as posições do Papa Francisco, classifica o discurso atual do PSD como “anticristão” e distante dos valores que associa ao fundador daquele partido.

Por essas razões, a antiga secretária de Estado afirmou que a saída era inevitável. Considera ainda que Montenegro errou ao não apoiar António José Seguro na segunda volta das presidenciais, mas acredita que o Presidente eleito no passado domingo terá condições para ser “um excelente chefe de Estado”.