Alunos da Domingos Capela convocam manifestação devido à degradação da escola

O protesto está marcado para amanhã, sexta-feira, às 09h00, junto à Câmara Municipal de Espinho.

Os alunos da Escola Básica e Secundária da Domingos Capela convocaram uma manifestação pacífica para amanhã, dia 13 de fevereiro, às 09h00, junto à Câmara Municipal, em protesto contra a degradação das instalações do estabelecimento de ensino e a falta de resposta das entidades responsáveis.

Numa carta enviada à comunidade escolar, os estudantes descrevem um cenário que consideram “extremamente preocupante” e que “se tem vindo a agravar ao longo dos anos”, tendo sido intensificado pelas recentes tempestades que assolaram o concelho e o país.

“Há muito tempo que se fala na necessidade de melhorar as condições da nossa escola. Ao longo dos anos têm-nos sido feitas promessas, mas, na prática, continuamos a assistir à degradação progressiva das instalações”, lê-se na carta.

Contudo, os alunos ressalvam que, mesmo antes destas intempéries, a escola “já não reunia as condições mínimas adequadas”.

Entre os problemas apontados constam salas inundadas, corredores com água acumulada, escadas transformadas em “autênticos rios”, mesas das salas molhadas, “frio intenso” nas salas de aula, tetos a escorrer água, tinta e partes do teto a cair, bem como “quadros elétricos com presença de água”.

A biblioteca apresenta infiltrações e a entrada na escola tem sido feita “por cima de paletes devido às poças de água”, descrevem. Os estudantes referem ainda a ausência de projetores e de cabos, tomadas elétricas que não funcionam e a inexistência de sistema de cartões na entrada.

O pavilhão desportivo estará também sem condições para aulas práticas, com colchões encharcados.

“Importa ainda salientar que temos 1900 horas de formação prática previstas e, neste momento, estamos há três semanas sem aulas práticas. Para além disso, há professores que não têm conseguido lecionar nas devidas condições, sendo obrigados a adaptar as aulas ao estado dos espaços disponíveis. Como consequência, acabamos por ser prejudicados, acumulando aulas que, posteriormente, terão de ser repostas, muitas vezes, no verão”, relatam.

Ausência de “respostas concretas”

Os alunos afirmam também que os docentes e funcionários daquela escola terão contactado a Câmara Municipal e funcionários da Proteção Civil, mas dizem não ter havido “respostas concretas”.

Perante essa ausência, decidiram avançar com uma “iniciativa cívica e responsável” para exigir uma intervenção urgente. O objetivo é serem ouvidos e alertar para esta situação.

A manifestação foi articulada por alunos de várias turmas do ensino secundário, que garantem que o objetivo não é faltar às aulas, mas “ser ouvidos” e exigir condições de segurança e dignidade para toda a comunidade educativa.

“Muitos de nós ainda temos vários anos pela frente nesta escola, e devemos também pensar nos alunos que ainda irão ingressar no ensino secundário. Esta escola tem história e merece dignidade. Também os alunos, professores, funcionários e toda a comunidade educativa merecem respeito e condições adequadas,” concluem.