No próximo sábado, 26 de julho, o Uncle Joe’s, em Esmoriz, recebe a primeira edição do Rasgorâma, um festival de um só dia que promete romper com o marasmo da programação cultural fora dos grandes centros urbanos. Organizado pelo Coisas Coletivo, o evento traz três concertos com diferentes abordagens à guitarra – Beatriz Madruga, Os Barbosas e Polivalente – numa celebração ruidosa da criação musical independente.
Antes de falar da primeira edição deste evento, Tatiana Rocha explica que o Coisas Coletivo nasceu em 2023, tornou-se numa associação cultural em 2025. Reúne artistas de várias disciplinas artísticas – da música ao cinema, do teatro à dança – unidos por uma vontade comum: intervir na Cultura, ao invés de apenas a observar.
O grupo está focado na produção de eventos culturais em comunidades onde identifica uma “maior falta de programação”, promovendo assim a descentralização cultural. O Rasgorâma “nasce um pouco nesse sentido”, admite Tatiana.
“Eu sou natural de Espinho e temos elementos de Esmoriz no coletivo. Ou seja, somos de cidades próximas de centros urbanos, como o Porto e Aveiro, mas, para a densidade populacional que temos, a região oferece muito pouco em termos de projetos culturais”, refere.
Festival de dia único
A ideia do “festival de um só dia” é clara: dar palco, espaço e voz a novos projetos musicais. Esta primeira edição, que ocupa o Uncle Joe’s, marca o arranque de uma programação que se quer trimestral, com futuras edições a acontecerem “sempre em sítios diferentes” e em comunidades com lacunas no acesso à programação cultural, sobretudo no que toca à música emergente.
Além disso, cada edição será dedicada a um género musical distinto. A estreia em Esmoriz é dedicada às multiplicidades da guitarra e reúne três projetos com abordagens muito próprias ao instrumento.
Às 21h00, Beatriz Madruga entra com canções despidas, onde a guitarra clássica e o jazz se cruzam com sintetizadores e uma voz em tensão entre a fragilidade e a força.
Seguem-se “Os Barbosas”, às 22h15 – uma banda de “punk-rock familiar” com “raízes anti-folk”, que traz guitarras acústicas e elétricas e uma performance que cruza música com stand-up comedy.
Para fechar, às 23h15, o “post-punk direto ao osso” de Polivalente sobe a palco para misturar o som das guitarras com a acidez dos sintetizadores.
Novos projetos em vista
O Coisas Coletivo – sigla de Coletivo Opcional de Intervenções Sem Arte Subtil – assume no próprio nome a sua atitude, e o Rasgorâma é parte desse manifesto: “rasgar, remixar, reprogramar”. E este impulso não se fica pela música.
Depois das criações “O Auto da Fonte das Três Bicas” e “À Roda”, colaborações com Xana Novais e Pleasure Drone, Tatiana Rocha adianta que o coletivo está a preparar um novo projeto que envolve bandas filarmónicas locais, um grupo de teatro amador e escolas da região, com o objetivo de “continuar a desenvolver trabalho” em articulação com outras secções do coletivo.