Imaginarius celebra um quarto de século com novo nome e posicionamento

O festival, que decorre em Santa Maria da Feira, de 21 a 23 de maio, passa a designar-se Imaginarius – Festival de Artes Performativas em Espaço Público.

É com a palavra “resistência” que o Imaginarius se apresenta para a sua 25.ª edição. O festival, que decorre em Santa Maria da Feira, de 21 a 23 de maio, surge este ano com um novo posicionamento e passa a designar-se Imaginarius – Festival de Artes Performativas em Espaço Público, deixando para trás a designação de Festival Internacional de Teatro de Rua.

O conceito de resistência assume “vários significados” nesta edição. Por um lado, traduz-se no reforço dos espetáculos de grande formato, numa aposta que pretende ser “uma grande e inesquecível edição do Imaginarius”. Por outro, simboliza a continuidade e a capacidade de reinvenção do festival.

“Resistência porque queremos crescer, porque continuamos aqui e a ter a ousadia de perguntar”, afirmou o autarca Amadeu Albergaria, sublinhando que, num mundo marcado por conflitos, o festival pretende afirmar-se como espaço de criatividade e encontro cultural. “Durante três dias, todo o Mundo há de caber em Santa Maria da Feira”, acrescentou.

Durante a conferência de imprensa, realizada no Imaginarius Centro de Criação, a 12 de março, o autarca feirense revelou que a edição deste ano conta com um reforço do investimento municipal, que sobe para 800 mil euros, mais 200 mil euros do que no ano transato.

Este aumento representa “uma afirmação política a favor da Cultura”, justificou o edil, sublinhando que este setor continua a ser “uma aposta fundamental no desenvolvimento estratégico do concelho”.

Novo posicionamento estratégico

Quanto à mudança da sua designação, a decisão reflete uma transformação mais profunda do projeto.

“O contexto mudou, as linguagens artísticas evoluíram, as expetativas dos públicos transformaram-se e o espaço público tornou-se ainda mais disputado, física e simbolicamente. Perante este cenário, o Imaginarius escolhe reposicionar-se de forma clara e consciente, reforçando a sua identidade enquanto projeto dedicado à criação artística em espaço público e afirmando esta escolha como eixo central da sua visão futura”, disse.

Perante este cenário, o festival procura reposicionar-se como um “projeto cultural multidisciplinar” focado na criação artística em espaço público, ampliando o seu domínio de ação e reforçando a ligação à comunidade.

Aos 25 anos, o Imaginarius não se apresenta como um “projeto concluído”, mas antes como “uma marca cultural consolidada”, com “ADN próprio” e “capacidade de reinvenção”.

“O Imaginarius não procura dar conforto. Não procura consenso. Não é elitista, nem populista. É resistência. Não propõe soluções universais. Não pretende ser solução para os problemas do mundo. Pretende criar as condições para os reconhecer, para os questionar e para imaginar outras possibilidades de futuro, sabendo que imaginar implica escolher, arriscar e, por vezes, deixar para trás o que já não corresponde ao presente”, reafirmou o presidente da Câmara.

Espaço público como eixo central

Também o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Paulo Marcelo, destacou que o reposicionamento do festival parte da constatação de que o espaço público se tornou “um dos lugares mais disputados” da atualidade. Assumir esse espaço como eixo central do projeto é, por isso, “um gesto exigente e profundamente estratégico”.

“A visão do Imaginarius alarga-se para além das artes performativas apresentadas durante o festival. A arte urbana, o património artístico contemporâneo existente no território e as práticas criativas informais que já habitam a cidade passam a ser integradas numa estratégia cultural coerente e como camadas estruturantes da identidade do território”, explicou Paulo Marcelo no texto de apoio distribuído na apresentação. 

O objetivo é transformar o Imaginarius num “movimento cultural ativo ao longo de todo o ano”, articulando criação artística, experimentação e pensamento crítico.

Nesse sentido, o espaço público deixa de ser apenas lugar de passagem para se afirmar como espaço de construção cultural contínua, onde a cidade passa a ser protagonista de um processo cultural em permanente evolução.

A atual direção artística externa do festival está a cargo de Bruno Costa e Daniel Vilar.

Números da 25.ª edição

  • Três dias de programação;
  • 42 companhias;
  • Mais de 200 artistas, provenientes de 16 países;
  • 39 espetáculos;
  • Uma instalação artística;
  • Mais de 125 apresentações;
  • Cinco estreias absolutas;
  • 23 estreias nacionais.