De 1976 a 2021, a Câmara Municipal tem tido diferentes protagonistas, mas as dinâmicas eleitorais tendem a repetir-se.
Ao longo de quase 50 anos, a alternância do poder político na Câmara Municipal de Espinho tem-se feito essencialmente entre PS e PSD, com algumas dessas vitórias em coligações: o PSD formou a coligação Aliança Democrática em 1979 e uniu forças com o CDS-PP em 2005, enquanto o PS coligou-se com a União da Esquerda para a Democracia Socialista (UEDS) em 1982.
Nas primeiras eleições autárquicas livres, de 1976, concorreram seis forças políticas. O PS venceu com cerca de 38% dos votos, seguido do PSD, CDS e FEPU. Com sete lugares de vereação em disputa, o PS elegeu três, o PSD dois, e tanto o CDS como a FEPU elegeram um vereador cada.
Em 1979, apenas quatro partidos concorreram. O PSD, o CDS-PP e o PPM uniram-se para formar a Aliança Democrática (AD), que venceu as eleições e elegeu três vereadores. O PS, apesar de ficar em segundo lugar, também garantiu três mandatos, enquanto a APU elegeu um vereador.
Nas autárquicas de 1982, o PS, em coligação com a UEDS, reconquistou a Câmara, elegendo três vereadores. O PSD ficou com dois mandatos. A APU e o CDS-PP conseguiram eleger um vereador cada.
Em 1985, registou-se um resultado inédito: o CDS-PP tornou-se a segunda força mais votada. Empatou com o PS em mandatos (dois cada), e foi apenas superado pelo PSD, que elegeu três vereadores, reconquistando a autarquia espinhense.
Em 1989, com quatro forças políticas em disputa e a estreia da CDU (PCP/PEV), o PSD manteve-se à frente da Câmara, enquanto o PS retornou ao segundo lugar. O CDS-PP perdeu um mandato, e a CDU elegeu um vereador.
Eis que, em 1993, o PS recuperou a Câmara Municipal, relegando os sociais-democratas para o segundo lugar. O CDS-PP não conseguiu eleger nenhum vereador, e a CDU, apesar de eleger um, ficou atrás do PSN (Partido de Solidariedade Nacional), que registou quase 15% dos votos, tendo eleito também um vereador.
A 14 de dezembro de 1997, os socialistas alcançaram o melhor resultado de sempre, vencendo por larga maioria. Mais de metade dos eleitores votaram no PS e esta foi a primeira vez que a autarquia espinhense foi vencida por maioria. Contudo, este crescimento deu lugar a uma trajetória descendente que só voltou a ser invertida em 2021, sob a liderança de Miguel Reis, como iremos ver mais à frente. Neste ano, o PSD ficou reduzido a dois vereadores.
A partir deste ano, a Câmara Municipal de Espinho passou a ser governada sempre por maiorias absolutas, alternando entre PS e PSD, sem representação de outras forças partidárias no Executivo camarário.
No início do século, em 2001, o PS venceu novamente com maioria absoluta, embora tenha perdido um vereador para o PSD, que reforçou a sua representação. O CDS-PP foi a terceira força mais votada, mas não conseguiu eleger ninguém.
Há 20 anos, em 2005, surgiram novos concorrentes, como o Bloco de Esquerda e o XIX, além da coligação entre PSD e CDS-PP ("Juntos Por Espinho"), encabeçada por Luís Montenegro. Mesmo assim, o PS manteve a maioria na Câmara. A CDU ficou em terceiro lugar.
Acontece que, nas autárquicas de 2009, o PSD recuperou a Câmara por uma diferença mínima, mas suficiente para garantir a maioria absoluta. O PS, após 12 anos consecutivos no poder, desceu para segundo lugar com três vereadores, enquanto o CDS-PP manteve-se como a terceira força mais votada.
Em 2013, o PSD atingiu o seu melhor resultado desde então (47,2%), mantendo a maioria na Câmara. A CDU ficou em terceiro lugar, seguida do Bloco de Esquerda e do CDS-PP, que registou o seu pior desempenho até então.
O PSD voltou a conquistar a maioria, de forma mais tímida, nas autárquicas de 2017, mantendo o mesmo número de vereadores, seguido pelo PS. Apesar de ter ficado em terceiro lugar, o movimento independente “Pela Minha Gente” não conseguiu transformar os votos em representação efetiva no Executivo camarário.
Com o final do mandato de 12 anos de Joaquim Pinto Moreira (PSD), o PS regressou à Câmara em 2021, desta vez com Miguel Reis, assegurando a maioria. O PSD elegeu três vereadores, enquanto a CDU foi a terceira força mais votada. Em 2021, o Chega e o PAN concorreram pela primeira vez à Câmara de Espinho.
O gráfico abaixo mostra como o peso de cada partido evoluiu ao longo de quase meio século de eleições autárquicas, revelando os altos e baixos de cada cor política.
Se a alternância entre socialistas e sociais-democratas marca o poder local, há um outro padrão que se acentua com o tempo: o da abstenção.
De eleição em eleição, o número de espinhenses que deixa de votar tem vindo a aumentar e 2021 foi o ano em que esse desinteresse mais se fez notar: quase metade dos espinhenses não foi às urnas.
Desde as primeiras eleições autárquicas livres, apenas nove pessoas ocuparam o cargo de presidente, refletindo a alternância entre socialistas e sociais-democratas. Quem será o 10.º nome?
PS
1976 – 1979
AD
1979 – 1982
PS
1982 – 1985
PSD
1985 – 1989
PPD/PSD
fev. 1989 – dez. 1989
PSD
1989 – 1993
PS
1993 – 2009
PPD/PSD
2009 – 2021
PS
2021 – jan. 2023
PS*
jan. 2023 – 2025
*Desvinculada do PS desde fevereiro 2025
2025 – 2028
*Elsa Alves Tavares era vice-presidente da Câmara quando, de forma interina, em fevereiro de 1989, assumiu a liderança após pedido de suspensão de mandato, por motivo de doença, de José Gomes Almeida, até então presidente da Câmara. Após falecimento deste, Elsa Tavares assumiu o cargo de presidente do município em outubro de 1989, mantendo-se em funções até às eleições autárquicas de dezembro desse ano. Foi a primeira presidente da Câmara Municipal de Espinho.
Para as eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, estão confirmadas oito candidaturas à presidência da Câmara Municipal de Espinho. Eis os principais candidatos, assim como o partido ou movimento que representam.
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