Rush – Duelo de Rivais

30 Outubro, 2013

A melhor obra do sobrevalorizado Ron Howard em muitos anos é também o melhor filme de ficção já feito sobre a Fórmula 1 (um desporto pelo qual, confesso, o meu interesse é nulo). Dedicando-se a acompanhar a rivalidade entre os históricos James Hunt e Niki Lauda na mítica prova de 1976, o argumento de Peter Morgan (um mestre a dramatizar eventos reais, como comprovam os seus roteiros de ‘A Rainha’, ‘Maldito United’ e ‘Frost/Nixon’) conduz o espectador pela disputa entre duas personalidades contrastantes – o boémio e destemido britânico contra o frio e ponderado austríaco – que acabam por ser duas faces da mesma moeda: é o prazer pela velocidade, pela competição e pela glória que une e separa os dois sujeitos. O cinema tem sido cruel para a modalidade ao enfiá-la em enlatados cuja ação histérica não lhe faz justiça, mas ‘Rush’ acompanha as corridas dos anos 70 com o devido virtuosismo de uma realidade hoje impensável (o risco era elevado e a morte de dois ou mais corredores por época era um dado adquirido), e aos ombros de uma reconstituição de época primorosa e de um argumento que pinta sem contemplações dois seres imbuídos do mesmo espírito e tão distintos em natureza. E o filme tem, claro, de duas fortes interpretações: se Chris Hemsworth cai como uma luva no papel de playboy canastrão, quem brilha mesmo é Daniel Brühl a captar a essência de um desportista sedento de vitória e de provar a si e aos outros que merece o Panteão. Para quem gosta de corridas de Fórmula 1 e não só, ‘Rush – Duelo de Rivais’ é um prato cheio.

Antero Eduardo Monteiro




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