Depois da terra

30 Julho, 2013

Há muito, muito tempo, numa galáxia distante chamada Hollywood havia um realizador que era o último grito: escrevia, produzia e realizava as suas obras, todos faziam fila para trabalhar com ele, os seus filmes eram antecipados em êxtase e – surpresa! – eram realmente bons. O seu nome: M. Night Shyamalan. Até ao momento em que nada do que ele fazia prestava: os defeitos como argumentista começaram a pesar; depois os dotes de realizador foram por arrasto e não demorou muito para o outrora “fresco e inovador” Shyamalan fosse desprezado por público e crítica – e não sem razão já que os seus últimos filmes são realmente maus. Agora, despromovido ao posto de “mão-de-obra contratada” para massagens de ego a Will Smith que, como pai carinhoso que é, decidiu que a melhor prenda para o seu filho adolescente seria uma ficção-científica protagonizada por este (estes putos de Hollywood já não contentam com automóveis caros e festas de luxo). E ‘Depois da Terra’ é tudo isso: mau do primeiro ao último fotograma. Não serve como aventura espacial passada numa Terra abandonada há mil anos pelos humanos e cuja fauna e flora evoluíram para matar estes (!!!), não serve como drama familiar na história do pai e do filho que devem cooperar juntos para a salvação de ambos e que engloba todos os clichés conhecidos por alguém que já viu meia dúzia de filmes, e tampouco serve como montra do talento de Jaden Smith que demonstra ter zero carisma para carregar um projeto nas costas (e Will Smith, como bom pai, ofusca-se numa prestação rígida para dar brilho ao petiz). Junte-se a realização pedestre de Shyamalan, efeitos especiais medíocres e um design de produção atroz (tudo parece feito de plástico chunga), e está o caldo entornado por noventa e poucos minutos.

Antero Eduardo Monteiro




O seu endereço de email não será publicado.

*

Não são permitidas tags HTML.