A Ascensão de Júpiter

30 Abril, 2015

Louve-se o arrojo dos irmãos Wachowskis em tentar fazer algo refrescante no seio do comercialismo de Hollywood, mas a terrível verdade é que ‘A Ascensão de Júpiter’ (que foi um enorme falhanço comercial) deve ter sido o último prego nas boas graças da dupla junto da Warner Bros., já que não acumulam um sucesso de bilheteira desde o final da trilogia ‘Matrix’. Jupiter (Mila Kunis) é uma jovem que descobre ser a herdeira de uma linhagem intergaláctica e conta com a proteção de Caine (Channing Tatum), um ser metade humano, metade canino. Inchado de ação e efeitos especiais de encher o olho, mas com uma narrativa irregular e pobre (os fracos diálogos só servem para cuspir informação no espectador), ‘A Ascensão de Júpiter’ só leva com o adjetivo “refrescante” com que abri este texto por ser uma história original (o que diz mais sobre as fraquezas de Hollywood do que das qualidades do filme), uma vez que a película pede emprestado a outras obras superiores tudo o que conseguir meter a mão: há o Escolhido, a profecia, o protetor, a dinastia comandada pelo vilão arrogante (e exagerado), cenários majestosos, criaturas fantasiosas,… enfim, o bê-á-bá do género. Por outro lado, ao contrário de desastres como, digamos, os ‘Transformers’ de Michael Bay, ‘A Ascensão de Júpiter’ ainda permite que vislumbremos alguma alma e ambição nas intenções dos Wachowskis por trás da confusão que se instala no ecrã. Trata-se de um fraco consolo, é certo, mas que redime em parte esta nova e falhada empreitada – quanto mais não seja para os fãs de produtos foleiros (“camp” em inglês) que encontrarão aqui motivos de regozijo infindáveis.

Antero Eduardo Monteiro 




O seu endereço de email não será publicado.

*

Não são permitidas tags HTML.