A Culpa É das Estrelas

29 Outubro, 2014

Romeu e Julieta viveram um romance proibido, acabado em tragédia pelo ódio entre Montecchios e Capuletos. O mesmo desfecho funesto ronda o amor de Hazel Grace Lancaster e Augustus Waters, mas o único obstáculo à frente dos jovens amantes é a própria vida. Em ‘A Culpa é das Estrelas’, John Green recria o fascínio pelo amor shakesperiano sob o  peso de um dos grandes medos contemporâneos: o cancro. Lançado em 2012, o livro logo se tornou um fenómeno de vendas que Hollywood dificilmente deixaria escapar e agora chega a adaptação cinematográfica que, graças a uma série de acertos, se eleva acima de obras do género como aquelas piegas transposições dos livros de Nicholas Sparks. O filme assume essa essência do melodrama de fazer choras as pedras da calçada, mas sem tropeçar no sentimentalismo anunciado na premissa: dois jovens conhecem-se e apaixonam-se num grupo de apoio para pacientes com cancro. Ainda que puxe constantemente às lágrimas, a adaptação nunca assume o peso da tragédia anunciada. É uma história conduzida com serenidade, pelos olhos de quem já se habituou com a promessa da morte. Além dos recursos visuais/narrativos presentes em 9 de 10 comédias românticas da atualidade – mensagens de texto aparecem no ecrã, banda sonora catita –, Shailene Woodley e Ansel Elgort contribuem para subverter o género do romance adolescente. A química e a interpretação dos dois – somada ao peso de nomes como Laura Dern e Willem Dafoe  – impedem que a história caia no dramalhão açucarado. Os diálogos eloquentes adaptados do livro raiam o teatral, mas as suas personagens são verossímeis. Há umas quantas cenas que não evitam o recurso aos clichés, mas a abordagem segura e direta e a empatia criada pelo casal principal fazem com que ‘A Culpa É das Estrelas’ valha a atenção e os muitos lenços gastos.

Antero Eduardo Monteiro




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