Guia para um final feliz

25 Julho, 2013

Protagonizado por um indivíduo bipolar, ‘Guia para um Final Feliz’ sofre do mesmo mal: é um filme irregular que saltita entre o drama e a comédia de forma brusca e – o seu maior erro – investe em incidentes tão artificiais que só poderiam acontecer… sim, num filme. Pat Solatano (Bradley Cooper) passou oito meses numa instituição estatal e encontra-se agora a viver de novo em casa dos pais (interpretados por Robert De Niro e Jackie Weaver). Está determinado a reconstruir a sua vida, a conseguir manter-se optimista e a reconciliar-se com a sua mulher. As coisas complicam-se quando Pat conhece Tiffany (a vencedora do Oscar e a minha nova musa, Jennifer Lawrence), uma misteriosa e problemática mulher que se oferece para o ajudar. É uma trama convencional (afinal, isto é uma comédia romântica) que não permite que as boas personagens se sobressaiam perante os clichés que inundam a narrativa: Pat e Tiffany detestam-se até se descobrirem apaixonados, surgirão mal-entendidos, um evento público onde ambos terão de passar por cima das suas diferenças e, obviamente, a inevitável (e insuportável) cena em que a câmara circunda o casal que troca um beijo romântico. Por outro lado, ‘Guia para um Final Feliz’ sobrevive graças ao elenco que merecidamente foi alvo de fartos elogios na última temporada de prémios. É deles todo o esforço em criar personagens simpáticas, que ressoem junto do público e que faça com que este torça por eles. Em tudo o resto (realização, argumento, produção), este filme é somente um esforço esquemático e sem nada que o diferencie de outros exemplares do género.

Antero Eduardo Monteiro




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