Gravidade

23 Outubro, 2013

‘Gravidade’ já seria um filme digno de ser apreciado numa sala de cinema somente graças às belíssimas e arrebatadoras imagens do planeta Terra visto na perspetiva da sua órbita, pelas ações e eventos em gravidade zero e até como retrato cientificamente apurado do que se passa no espaço (ausência de som, sem oxigénio não existem explosões, pressão atmosférica nula, etc…). No entanto, isso seria apenas uma experiência meramente sensorial que Alfonso Cuarón eleva a outro nível ao desenvolver um exercício de tensão que deixa os nervos do espectador em frangalhos. Para Cuarón, a Ciência (mesmo que ficcionada) é tão importante como o Drama – e isto é o que basta para criar um sério candidato a melhor filme do ano. A história é simples: uma missão espacial corre mal e dois astronautas têm de lutar pelas suas vidas e encontrar uma forma de regressar à Terra. O que se segue são 90 minutos apavorantes em que testemunhamos a eterna luta da fragilidade humana contra a brutalidade da natureza. Composto por vários planos-sequência (marca registada de Cuarón), o filme tende a ser o mais fidedigno possível às condições do espaço: o silêncio é gerido com mestria já que ouvimos exatamente aquilo que os astronautas ouvem (e percebemos o seu isolamento) e, como a destruição ocorre no vácuo, tudo ganha mais impacto pela forma impiedosa que é retratada. o elenco diminuto consegue a proeza de soar minimamente tridimensional e Sandra Bullock carrega o filme inteiro nas costas com a sua persistência face às suas inseguranças e receios – o que nos leva imediatamente a temer pela sua vida. Com um ritmo sempre em crescendo que só deixa respirar no final da sessão, ‘Gravidade’ é uma obra assombrosa que só me faz lamentar o tempo que Alfonso Cuarón demora para nos entregar os seus filmaços.

Antero Eduardo Monteiro




O seu endereço de email não será publicado.

*

Não são permitidas tags HTML.