Chamada para a Morte

19 Dezembro, 2013

Reposição no Centro Multimeios a 17 de Dezembro inserido no ciclo Clássicos do Cinema Americano

Ao adaptar uma peça de teatro para o cinema, a maioria dos realizadores esforça-se para expandir sobre ela, para que esta pareça mais natural. Hitchcock estava sempre no seu melhor quando vai na direção oposta dos demais. Aqui, como em ‘A Corda’, ele trabalha com um punhado de atores em espaços confinados e constrói um de seus thrillers mais tensos. Os pouquíssimos cenários são usados para dar uma sensação claustrofóbica que traça um paralelo com as situações dos protagonistas: também eles se sentem presos. A história, baseado numa peça do dramaturgo Frederick Knott, é relativamente simples, mas eficaz: Tony Wendice (Ray Milland), um ex-tenista de sucesso, sabe que Margot (Grace Kelly), sua mulher, tem um amante. Para se vingar e também para ficar com a fortuna dela, Tony planeia o homicídio de Margot em forma de crime perfeito. Nem tudo corre bem e Tony vê-se numa encruzilhada que ele próprio montou. O desenvolvimento da premissa até à execução do tal “crime perfeito” mostra Hitchcock no topo da sua forma: com calma e suavidade, todo o esquema é mostrado nos mínimos detalhes (e não há como não admirar a genialidade do plano) enquanto nos envolvemos com as personagens – o que será essencial quando Tony se meter em apuros e começar um verdadeiro jogo de “gato e rato”. E isto, essencialmente, é o que salva a metade final de ‘Chamada para a Morte’ de soar anticlimática já que o filme afunda-se em longas explicações e o excesso de teatralidade do texto original cai em força. Obrigatório para qualquer fã de Hitchcock, mas sem o requinte de ‘Psico’, ‘A Janela Indiscreta’ ou ‘Vertigo – A Mulher que Viveu Duas Vezes’.

Antero Eduardo Monteiro




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