Imperador

17 Julho, 2013

Filme escolhido para a abertura do último FEST em Espinho aproveitando a presença do seu realizador Peter Webber (que, com apenas duas obras anteriores, já oscila entre o bom – ‘Rapariga com Brinco de Pérola’ – e o pavoroso – ‘Hannibal – A Origem do Mal’), ‘Imperador’ retrata um interessante episódio no rescaldo da rendição do Japão após os ataques a Hiroshima e Nagasaki: comandados pelo mítico General MacArthur (Tommy Lee Jones), as forças aliadas que governavam a nação nipónica incumbe o general Bonner Fellers (Matthew Fox) de investigar o real papel do imperador Hirohito durante a Segunda Guerra Mundial. A questão é mais delicada do que se supõe, já que o imperador goza de estatuto quase divino entre os seus e uma possível condenação (e até mesmo um julgamento comum) poderiam levar a tumultos sociais que arriscariam toda a missão de reconstruir o país. Coprodução norte-americana e nipónica, ‘Imperador’ seria acusado de ter sido feito por encomenda caso tivesse sido realizado no final dos anos 40 ou na década de 1950: factos históricos são suprimidos para suavizar ambas as partes do conflito e as interessantes questões levantadas pela investigação militar nunca são devidamente desenvolvidas. E como qualquer coprodução entre duas cinematografias distintas, o filme reúne o pior de dois mundos: a solenidade japonesa em tópicos como honra e família beira o saloio e o maniqueísmo norte-americano na aborrecida história de amor entre Fellers e uma japonesa (o que poderia ser mais útil para dois povos desavindos que um amor inter-racial?). Apenas ganhando alguma vida quando Tommy Lee Jones surge em cena, ‘Imperador’ quer contar muito e fica-se pela rama.

Antero Eduardo Monteiro




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