Auditório procura apoios para manter nível de programação

16 Outubro, 2013

Nos últimos anos, o Auditório de Espinho teve, juntamente com o Cineteatro de Vila Real e o de Bragança, uma programação em rede. Com esse apoio a terminar, Alexandre Santos, presidente do Conselho Diretivo da Academia de Música, refere que vai ser necessário reequacionar a oferta cultural que a sala de espetáculos promove em Espinho, procurando novas formas de financiamento.

A programação conjunta do Auditório de Espinho com Vila Real e com Bragança está prestes a terminar.

Sim. Tivemos com o Cineteatro de Vila Real e com o de Bragança um programa de programação em rede, suportado por fundos comunitários, em que dividíamos algumas linhas programáticas que eram apoiadas pelo Programa Operacional da Região Norte e que nos permitia, ao nível do Auditório de Espinho, ter um conjunto de concertos anualmente mais exigentes do ponto de vista dos seus orçamentos, concertos que são geralmente mais caros com músicos que têm uma projeção e uma notoriedade mais expressivas. O facto de estarmos a trabalhar com Vila Real e Bragança e contratarmos três concertos nestes teatros permitia obtenção de economias e também nos permitia introduzir uma parte da programação apoiada. Foi muito importante e significativo este apoio.

E como será agora no futuro?

A partir de 2014, já não teremos este programa em funcionamento, o que nos obriga a reequacionar a nossa forma de promover esta oferta cultural em Espinho, o que, teimosamente, temos feito desde que o Auditório abriu. Já passamos por momentos em que tivemos apoios, nomeadamente no arranque. Já passamos por fases em que não tivemos qualquer tipo de apoio e que conseguimos nunca parar o Auditório, estabelecemos outro tipo de trabalho, nomeadamente junto dos artistas e dos agentes. Conseguimos trazer concertos e equilibrar financeiramente essa programação. Desde há três anos atrás, tivemos esta lufada de ar fresco com o acordo de parceria e programação em rede e agora voltamos à estaca zero. Desde já, o Auditório, e a Academia naturalmente, terão que reequacionar toda esta orgânica. Nós esperamos que, cada vez mais, o Auditório seja visto como uma estrutura que tem desenvolvido um trabalho importante ao nível da oferta cultural em Espinho e que isso talvez possa ser reconhecido no sentido de surgirem, eventualmente, apoios que possam permitir continuar a ter esta oferta.

A Câmara Municipal dá algum tipo de apoio?

Não. A Câmara Municipal apoia o Festival Internacional de Música de Espinho e é a única vertente de apoio que tem relativamente à Academia de Música de Espinho. Não tem absolutamente mais nenhum. O Auditório não tem qualquer comparticipação de fundos municipais e veremos, se agora, com este novo mandato da Câmara Municipal, existe alguma possibilidade de mudança a esse nível. O Auditório não precisa de muito investimento para poder oferecer uma programação anual com cerca de 60 concertos, que é o que estamos a fazer, por várias razões. Nós continuamos a programar com base em muitas parcerias, com base em espetáculos em que o risco é dividido entre o artista e a própria Academia, em termos de bilheteira e etc, e vamos continuar a fazê-lo. O que precisamos, ao longo de cada um dos trimestres em que dividimos a nossa programação, é ter algum apoio para que seja possível programar alguns artistas que estruturem, em termos de notoriedade, a programação. A programação tem sido feita, a meu ver, de uma forma muito cuidada e pensada, alternando entre picos mais notórios e outras ofertas que, sendo de qualidade, não são tão notórias…

O investimento de que fala é de quanto?

Estamos a falar de alguns milhares de euros. Naturalmente que depende dos artistas que quisermos e de muita coisa… Mas eu estou em crer que, se o Auditório conseguisse ter um apoio estruturado na ordem dos 30, 40 mil euros por ano, conseguiria fazer o que tem feito até agora. Não é que a programação custe esse dinheiro, custa muito mais. A vantagem é que nós temos gerido a programação, estruturando o seu custo em várias componentes, algumas delas relativamente às quais nós nem temos custos… Uma das razões para que o Auditório funcione com custos mais baixos é que está integrado numa estrutura que não é apenas um auditório. Este edifício tem vida para além do auditório, o que significa que a gestão dos recursos humanos é partilhada entre toda a atividade que a Academia faz e o próprio Auditório. Aí, conseguimos ter custos de gestão do próprio Auditório bastante menos pesados do que uma sala que seja apenas auditório… É uma das vantagens deste equipamento que, apesar disso, consegue manter a identidade de uma sala independente de quase do resto do edifício. O Auditório de Espinho consegue ter uma identidade muito interessante quer do ponto de vista da gestão quer da programação. Tem particularidades muito interessantes. Mas não conseguimos aguentar estoicamente, porque os tempos são muito complicados, apesar de estarmos a manter índices de audiência relativamente idênticos aos anos anteriores. No entanto, as dificuldades ao nível da gestão da casa poem-se em muitas áreas e, para equilibrar financeiramente toda estas áreas, não podemos dispensar fundos próprios para uma atividade cultural do Auditório a não ser no estritamente necessário e temo-lo feito. A Academia assume claramente uma função de agente cultural em Espinho e assume-a com todo o empenho porque é a sua vocação, é uma das suas finalidades. Por isso, todo este trabalho ao longo dos anos… Hoje, de facto, o Auditório é reconhecido como uma sala que tem características muito especiais, tem uma programação que é interessante.

Esse investimento poderá ser do sector privado?

Sim, poderá vir… O que nós temos tentado e poderá ter alguma possibilidade é o apoio por parte da iniciativa privada, nomeadamente de uma entidade conhecida de Espinho com quem temos falado… Não posso adiantar nada sobre isso. Claro que não será a resolução deste dossier, mas será muito importante. É muito importante que seja possível que Espinho continue a oferecer uma programação cultural regular, e não apenas esporádica, com a matriz de programação que o Auditório tem incutido… É muito importante.

No fundo, é mesmo isso que está em causa?

Penso que é inegável… Eu tenho visto algumas manifestações de reconhecimento do trabalho que fazemos, nomeadamente, durante esta campanha eleitoral, com referências de vários candidatos sobre o trabalho do Auditório. Isso é muito importante porque, quem tem que gerir todos os dias esta atividade, tem muitas questões e interrogações para resolver e é melhor que, de quando em vez, haja alguma palavra – no mínimo – de apreço, haja uma postura de não ignorar o trabalho que se está a fazer. Para nós, obviamente, em primeiro lugar estão as pessoas para as quais programamos, o público, e esse reconhecimento ajuda-nos a manter forças para esta teimosia em continuar a programar… O reconhecimento maior que se pode obter é do público, mas também é importante receber algum estímulo, não estou a falar de estímulo financeiro apenas, pelo trabalho que desenvolvemos.




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