Patinhas com novo Lar

10 Dezembro, 2013

Patinhas sem Lar é o nome da mais recente associação de proteção de animais do concelho de Espinho. Fundada há dois meses, a associação presidida por Georgina Silva “nasceu” da necessidade de cuidar de uma matilha que vivia num descampado em Paramos sem quaisquer condições. De cerca de 70 cães, já foram adotados 21.

Foi com a intenção de dar um novo lar a cerca de 70 cães que passavam os seus dias abandonados num descampado em Paramos que o concelho de Espinho viu nascer a Patinhas sem Lar. As responsáveis pela associação – Georgina Silva (presidente da direção), Ana Paula Castro (tesoureira) e Gracinda Rodrigues (secretária) – tiveram conhecimento da existência desses animais que estavam “no meio do nada” e que se encontravam muito mal tratados. “Uma determinada pessoa punha lá os animais sem depois os tratar. Não eram alimentados, quase todas as semanas morriam lá cães. Por muito que gostemos de animais, tem que haver um limite. Essa pessoa acabou por perder o controlo do número de animais que tinha sem ter condições de tomar conta deles”, conta Georgina Silva.
A 31 de julho, o grupo de três amigas dos animais assumiu essa matilha e começou logo a pensar em formar uma associação. Todas elas estavam ligadas à proteção dos animais – Georgina recolhe animais da rua desde “miúda” – e a paixão que sentem por eles levaram-nas a não deixar que os cães continuassem assim. A primeira preocupação foi providenciar tratamento aos animais que necessitavam: “Eles mordiam-se uns aos outros, alguns estavam magríssimos, havia, por exemplo uma cadela que deveria pesar doze quilos mas só pesava cinco”. A presidente da direção referiu que estava em causa mesmo uma questão de saúde pública: “Acabamos por resolver um problema muito grave. Iam pessoas a fazer BTT pelo monte fora e os cães atacavam… Eles são todos meigos, mas estavam numas condições péssimas”.

Esterilização para controlar natalidade

Ao mesmo tempo e depois de falarem com o proprietário do terreno, começaram também a construir um abrigo onde outrora fora o descampado, vedando o espaço. Os animais foram separados conforme se entendiam, porque explicou a responsável, “tal como os humanos se zangam, eles também”, e depois começaram a ter um cuidado veterinário. Todos os animais da matilha foram vacinados e desparasitados. Neste momento, “estão todos com saúde e até têm, cada um, um boletim de saúde”. Os cães foram ainda esterilizados e castrados para evitar que o número continuasse a crescer.
Georgina Silva defende que os animais abandonados têm aumentado precisamente porque as pessoas não os esterilizam. A presidente da direção da Patinhas Sem Lar disse que tem havido uma grande evolução nesse sentido e que os portugueses estão mais consciencializados. “Tem que haver essa sensibilização, porque só assim conseguimos controlar a natalidade, mas tem evoluído muito, já há muita gente a tratar os animais com respeito”, defende a responsável. Segundo ela, é importante sensibilizar as pessoas (a associação quer até ir a escolas para atuar junto das crianças) para este aspeto da esterilização dos animais: “Em Portugal, são abatidos por ano 100 mil cães. Eles nascem para, a seguir, irem morrer, é assim que funciona nos canis. Se esterilizarmos, não nascem… São muitas vidas que estamos a salvar porque impedimos que elas nasçam”. Além disso, acrescentou: “Quando temos bebés, é muito difícil que os adultos sejam adotados”.
Dos cerca de 70 animais que assumiu, a Patinhas Sem Lar já conseguiu dar 21. “Temos a preocupação de saber se todos eles foram muito bem adotados. Na dúvida, nunca entregamos um animal. Neste momento, eles são muito felizes no abrigo, para irem para pior não vale a pena”, afirmou a responsável. Todos os animais entregues são chipados, vacinados e esterilizados (se for um cão bebé, a associação, ao meio ano, oferece a castração) e quem os leva para casa tem que assinar um termo de responsabilidade.
O número de animais que vive no abrigo (com capacidade para cerca de 40 cães) não reduziu mesmo com a adoção, porque há sempre novos a chegar, ou porque são encontrados na rua abandonados ou porque são entregues à associação. “Estão todos no abrigo, mas nós temos tido muita sorte em arranjar adotantes… Ainda no sábado conseguimos dar quatro cães, estava toda feliz”, conta Georgina Silva.

Mais voluntários precisam-se

Neste momento, a associação tem 80 sócios – cada um paga 20 euros por ano – e esse foi o único dinheiro que entrou para os cofres da Patinhas Sem Lar, “com mais um ou outro donativo”. Essas verbas são aplicadas na conta da veterinária e nas obras do abrigo, dando também para comprar alguma ração “que já nos faltou e tivemos que pagar do nosso bolso”, disse a responsável.
Ao longo deste percurso, a associação teve a ajuda da Câmara Municipal no que se refere à água: “O terreno está num sítio onde não há água nem luz, tem sim um ribeiro perto, onde, em pleno verão, íamos buscar para limpar os animais. De vez em quando, iam passando os bombeiros e enchiam bidões e davam uma mangueirada no cimento. A água veio resolver uma grande lacuna”. E acrescentou: “Com água, conseguimos ter os animais em melhores condições, porque podemos limpar mais à vontade”. A presidente da direção pediu ainda ao Regimento de Engenharia de Espinho para irem melhorar o acesso do abrigo. O pedido foi aceite e, com a cedência de cascalho por parte da Câmara, o acesso ficou com outras condições.
Para angariar fundos, a Patinhas Sem Lar realizou sábado um espetáculo solidário, tem uma loja onde vendem artigos dados (na esquina da 23 com a 14), marcam presença na Feira dos Peludos e tencionam realizar um jantar de Reis no dia 6 de janeiro. Com os gastos de 40 quilos de ração por dia, a associação faz também campanhas de recolha de alimentos nos hipermercados.
Assente em voluntariado, a Patinhas Sem Lar sente a falta de pessoas que ajudem. Neste momento, são seis as voluntárias que estão a dar um pouco de si todos os dias. “Revezamo-nos para limpar, um trabalho que tem que ser diário. Eles têm que ser tratados e nós desdobramo-nos para cuidar dele”, disse Georgina Silva.
Com cerca de dois meses, a associação está num bom caminho: “Está a correr bem, com uma grande luta e empenho”. A responsável admite que é preciso gostar muito de animais e refere ser muito importante fazer voluntariado, seja em qualquer área. O objetivo é contar a alimentar a causa animal: “Queremos dar-nos bem com toda a gente e ajudar os nossos animais, estes e outros que vão vir, infelizmente”.




6 comentários em “Patinhas com novo Lar

  1. Maria Júlia Sousa escreveu:

    Eu e minha filha encontramos uma gatinha abandonada ( não tinha mais de 2 meses) no passado mês de Janeiro. Ela estava junto a uma urbanização e quando a vimos pela primeira vez pensamos que pertencia a alguém daquela urbanização…. passamos no dia seguinte e a gatinha continuava no mesmo sitio ao frio e a chuva. resolvemos adoptar a gatinha. Já a desparasitei mas infelizmente por razoes financeiras não esta ainda vacinada e precisa ser esterilizada ( ela já teve o primeiro cio). Não sabemos ao certo a idade da Kiara ( foi este o nome com que minha filha a baptizou). Moro em Ermesinde-Valongo e se me poderem ajudar na vacinação e esterilização agradeço. Comida, um lar e muito mimo ela tem, só falta mesmo a questão veterinária.Obrigados e fico a aguardar noticias.
    Comprimentos

    Júlia Sousa

  2. Paulo Torres escreveu:

    Bem aventurados os pobres em espírito…..

  3. olinda rollo escreveu:

    Gostaria de ser sócia dessa associação.Como posso fazer ?

  4. juliosantos escreveu:

    Quando vejo que alguem abdica do seu conforto pessoal em proveito dos outros, sobretudo dos animais que são quem mais sofre numa sociedade alheada destes assuntos, sou forçado a ajudar com um contributo monetário, ainda que modesto, pelo fico a aguardar que me indiquem a forma como o posso fazer. Tambem tenho 2 cães e sei o amor que nos une.

  5. Carlos Adriano Azevedo escreveu:

    muitos parabéns pela iniciativa! saudações

  6. Adelaide Magalhães escreveu:

    Gostava de me tornar sócia, como posso ser?
    Tenho duas gatas e gostava de ter uma toda amarela (sei que são raras), mas se souberem de alguma, gostava que me contactassem.
    Obrigada e bem hajam.
    Fico a aguardar as V/ notícias.
    Adelaide.

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